DEFINIÇÃO E CONCEITO AFRO-BRASILEIRO NA SOCIEDADE CONTEMPORÂNEA

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DEFINIÇÃO

Afro-brasileiro ou negro são os termos oficiais brasileiros que designam racialmente e de acordo com a cor as pessoas que se definem como pertencentes a esse grupo.

Significado de Afro-brasileiro Por Dicionário inFormal (SP) em 24-05-2013

ADJETIVO

1. que diz respeito a brasileiro de ascendência africana

2. relativo à África e ao Brasil

nome masculino

indivíduo brasileiro de ascendência africana

O antropólogo Darcy Ribeiro considerava o contingente negro e mulato “o mais brasileiro dos componentes do nosso povo” uma vez que, desafricanizado pela escravidão e não sendo indígena nem branco reinol, só restava a ele assumir uma identidade plenamente brasileira.[5] Isto não quer dizer que negros e mulatos tenham se integrado à sociedade brasileira sem serem estigmatizados. Muito pelo contrário, muitos brasileiros desenvolveram vergonha das suas origens negras, seja pelo fato de que descender de escravos remete a um passado de humilhações e sofrimentos que deveria ser esquecido ou pelos estereótipos negativos que foram construídos em torno da negritude, associando-a a mazelas sociais como a pobreza e a criminalidade.

A atriz Camila Pitanga autodeclara-se negra, mas apenas 27% dos brasileiros a consideram como tal, segundo pesquisa do Datafolha.

Portanto, assumir-se negro no Brasil sempre foi muito difícil, por todo o conteúdo ideológico anti-negro que historicamente se desenvolveu no país, onde ainda hoje impera a ideologia do branqueamento e um padrão branco-europeu estético e cultural.[6] Portanto, no Brasil, apenas as pessoas de pele preta retinta são consideradas negras, sendo que o mulato já é pardo e portanto meio-branco e, se tiver a pele um pouco mais clara, passa a ser visto como branco. No passado, era raro o mulato saltar para o lado negro de sua dupla natureza uma vez que, diante da massa de negros afundados na miséria, com eles não queria se confundir.

Nos últimos anos, contudo, cada vez mais brasileiros se assumem como negros. Isso é consequência do sucesso dos negros americanos, vistos pelos brasileiros como uma “vitória da raça” e, principalmente, devido à ascensão social de parcela da população afrodescendente que, tendo acesso à educação e a melhores oportunidades de emprego, deixa de ter vergonha de assumir a sua cor.

O futebolista Ronaldo autodeclara-se branco, mas 64% dos brasileiros o consideram preto ou pardo, segundo pesquisa do Datafolha.

Raça é um conceito social, político e ideológico, não tendo uma sustentação biológica, uma vez que não é possível separar biologicamente seres humanos em raças distintas.[9] Em um país profundamente miscigenado como o Brasil, não é fácil definir quem é negro, uma vez que muitos brasileiros, aparentemente brancos, são parcialmente descendentes de africanos, assim como muitos negros são parcialmente descendentes de europeus. Acrescenta-se a isso o grande número de pardos, cuja classificação racial pode ser bastante ambígua.[10] A atriz Camila Pitanga autodeclara-se negra mas, em uma pesquisa do Datafolha, apenas 27% dos entrevistados classificaram a atriz como de cor preta (36% disseram que ela é parda). O jogador Ronaldo Fenômeno, por sua vez, disse em uma entrevista que se considera branco, mas, segundo a mesma pesquisa, 64% dos brasileiros o consideram preto ou pardo, e somente 23% como branco. O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi classificado como pardo por 42% dos entrevistados, ao passo que o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, que já disse ser “mulatinho”, foi classificado como branco por 70%, como pardo por 17% e como preto por 1%. A atriz Taís Araújo, autodeclarada negra, é vista como tal por apenas 54%.

Para o Movimento Negro, são consideradas negras todas as pessoas que têm essa “aparência”. Para o antropólogo Kabegele Munanga, da USP, a questão é problemática e, segundo ele, deve prevalecer a auto classificação. Portanto, se uma pessoa, aparentemente branca, se declara negra e se candidata a uma vaga com base em cotas raciais, a sua decisão deve ser respeitada.

Em 2007, um caso polêmico chamou a atenção da mídia brasileira: dois irmãos, gêmeos idênticos, concorreram no vestibular da UnB sob o sistema de cotas. Na universidade havia uma banca que, após analisar as fotos dos candidatos, definia quem era negro e quem não era. Após terem suas fotos analisadas pela banca, um dos gêmeos foi considerado negro, e o outro não. O sociólogo Demétrio Magnoli considera perigoso a instauração de “tribunais raciais” no Brasil, o que aproximaria o país das nações racialistas e paranoicas do século passado. Em 1933, a Alemanha nazista definiu como judeu aquele que tinha ao menos um quarto de “sangue judaico” (equivalente a um avô). Em 1935, o próprio Hitler alteraria a regra, e passou-se a considerar como judeu somente quem tinha mais de dois terços de “sangue judaico”, sendo alemães os “meio-judeus” (ou seja, com apenas dois avós judeus). Nos Estados Unidos sob as Leis de Jim Crow, era considerada negra qualquer pessoa com uma gota de sangue africano (one-drop rule), mesmo que não aparentasse sê-la. Na África do Sul do Apartheid, quando havia dúvida sobre a negritude da pessoa, era feito o “teste do pente”: se o pente enroscasse no cabelo, a pessoa era negra, e se o pente deslizasse até o chão, era branca.

No censo do IBGE de 2010, 7,6% dos brasileiros identificaram sua cor ou raça como preta, 43,1% como parda e 47,7% como branca. Esses dados, contudo, devem ser analisados com cautela, haja vista a histórica tendência ao branqueamento que se observa nas classificações raciais no país. Para efeitos estatísticos, o IBGE classifica como população negra a soma dos pretos e pardos, embora essa metodologia venha a ser questionada por alguns, uma vez que a maioria dos pardos são mestiços, que não se identificam nem como negros, nem como brancos, mas como um grupo separado. Além disso, muitos pardos não são descendentes de africanos, mas de índios, principalmente nos estados do Norte.

O Estado brasileiro, que historicamente assumiu diversas atitudes claramente racistas, como no final do século XIX, quando proibiu a entrada de imigrantes africanos e asiáticos no país, ao mesmo tempo em que promovia a entrada de imigrantes europeus recentemente tem se redimido e tomado atitudes políticas que visam a melhora das condições de vida da população negra, tanto do ponto de vista sócio-econômico como ideológico. Dentre as quais, a Lei nº 10.639 de 2003, que tornou obrigatório o ensino da História da África e da cultura afro-brasileira nas escolas,[20] a Lei nº 12.288 de 2010, que instituiu o Estatuto da Igualdade Racial, a Lei nº 12.519 de 2011, que instituiu o Dia Nacional de Zumbi e da Consciência Negra, a Lei nº 12.711 de 2012, que tornou obrigatória a reserva de cotas raciais no Ensino Superior e a Lei nº 12.990 de 2014, que também tornou obrigatória a reserva de cotas para negros nos concursos públicos.

 

Fonte: afrobras.org.br

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